sábado, 23 de fevereiro de 2013
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
O uso litúrgico das cinzas tem sua origem no Antigo
Testamento. As cinzas simbolizam dor, morte e penitência. No livro de Ester,
Mardoqueu se vestiu de saco e se cobriu de cinzas quando soube do decreto do
rei Asuer I (Xerxes, 485 – 464 AC) da Pérsia que condenou à morte todos os
judeus de seu império. (Est 4,1). Jó, cuja
história foi escrita entre os anos VII e V AC, mostrou seu arrependimento
vestindo – se de saco e cobrindo – se de
cinzas (Jó 42,6). Daniel (cerca de 550 AC)
ao profetizar a prisão de Jerusalém pela Babilônia escreveu: "Volvi-me
para o Senhor Deus a fim de dirigir – lhe uma oração de súplica, jejuando e me impondo o
cilício e a cinza" (Dn 9,3). No século
V AC, logo depois da pregação de Jonas, o povo de Nínive proclamou um jejum a
todos e se vestiram de saco, inclusive o Rei tirou seu manto e cobriu – se de
saco, levantou – se de seu trono e sentou sobre cinzas (Jn 3,5-6). Estes exemplos retirados do Antigo Testamento
demonstram a prática da utilização das cinzas como símbolo, que todos entendiam,
de arrependimento.
O próprio Jesus fez referência ao uso das cinzas. A
respeito daqueles povos que se recusavam a se arrepender de seus pecados,
apesar de terem visto os milagres e escutado a Boa Nova, Jesus disse: "Ai
de ti, Corozaim! Ai de ti, Betsaida! Porque se tivessem sido feitos em Tiro e
em Sidônia os milagres que foram feitos em vosso meio, há muito tempo elas se
teriam arrependido sob o cilício e as cinzas”(Mt
11,21). A Igreja, desde os primeiros tempos, conservou a prática do uso
das cinzas com o mesmo simbolismo. Em seu livro "De Poenitentia ”Tertuliano
(160-220 DC) escreveu “que um penitente
deveria viver sem alegria vestido com um tecido de saco rude e coberto de
cinzas". O famoso historiador dos primeiros anos da igreja, Eusébio (260-340 DC), relata em seu livro A História
da Igreja, como um
apóstata de nome Natalis se apresentou vestido de saco e coberto de cinzas
diante do Papa Ceferino, para suplicar – lhe perdão. Sabe – se que em determinada
época existiu uma prática que consistia no sacerdote impor as cinzas em todos
aqueles que deviam fazer penitência pública. As cinzas eram impostas quando o
penitente saía do Confessionário.
Já no período medieval, por volta do século VIII,
aquelas pessoas que estavam para morrer eram deitadas no chão sobre um tecido
de saco coberto de cinzas. O sacerdote benzia o moribundo com água benta
dizendo – lhe: "Recorda-te que és pó e em pó te converterás". Depois
de aspergir o moribundo com a água benta, o sacerdote perguntava: "Estás
de acordo com o tecido de saco e as cinzas como testemunho de tua penitência
diante do Senhor no dia do Juízo?" O moribundo então respondia: "Sim,
estou de acordo". Pode – se perceber em todos esses exemplos que o
simbolismo do tecido de saco e das cinzas serviam para representar os
sentimentos de aflição e arrependimento, bem como a intenção de se fazer
penitência pelos pecados cometidos contra o Senhor e a Sua Igreja. Com o passar
dos tempos o uso das cinzas foi adotado como sinal do início do tempo Quaresmal;
o período de quarenta dias, excluindo – se os domingos, em preparação a Páscoa
da Ressurreição. O ritual da Quarta-feira de Cinzas fazia parte do Sacramental
Gregoriano. As primeiras edições deste sacramental datam do século VII. Na liturgia
atual da Quarta-feira de Cinzas, utilizamos cinzas feitas com os ramos distribuídos
no Domingo de Ramos do ano anterior. O sacerdote abençoa as cinzas e as impõe
na fronte de cada fiel traçando com essas o Sinal da Cruz. Logo em seguida diz:
"Recorda – te que és pó e em pó te converterás" ou então
"Arrepende – te e crede no Evangelho".
Devemos nos preparar para o começo da Quaresma
compreendendo o significado profundo das cinzas que recebemos. É o tempo para introspecção
isto é, nos voltar para dentro de nós mesmos, examinar nossa consciência e confessar
nossos pecados. Só assim poderemos voltar nossos corações autenticamente para o
Senhor, que sofreu, morreu e ressuscitou pela nossa salvação. Além do mais esse
tempo serve para renovar nossas promessas batismais, quando morremos para a
vida passada e renascemos para uma nova vida em Cristo.
Finalmente, conscientes que as coisas desse mundo
são passageiras, procuremos viver de agora em diante com firme esperança no
futuro e na plenitude do Céu.
Luís Odilon Macedo Béles
Consagrado da Comunidade Católica de Aliança Obra
Nova do Monte Carmelo
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
Nossa
Senhora, a Teotokos, palavra de origem grega que significa
“Mãe de
Deus”, conforme dogma definido pelo Concílio de Éfeso no ano 431 que
afirmou: “Maria é verdadeiramente Mãe da pessoa do Verbo Encarnado”.
Nossa Senhora é também Mãe dos homens e consequentemente Mãe da Igreja
como lemos em João 19,25 – 27 e como observou o papa Pio X.
Sendo
Nossa Senhora Mãe dos homens e Mãe da Igreja, preocupa – se e muito com
seus
filhos, por isso vem ao seu encontro por meio de suas inúmeras
aparições. Dentre elas destacamos uma, a qual celebramos neste mês de
fevereiro.
A
mesma aconteceu pela primeira vez no dia 11 de fevereiro de 1858 em
Lourdes, uma pequena cidade situada a sudeste da França pertencente à
Diocese de Tarbes, à vidente Bernadette Soubirous nascida em 7 de
janeiro de 1844. Estando a menina às margens do rio Gave, junto a Gruta
de Mssabielle, a Virgem Santíssima manifestou direta e mui profundamente
seu grande amor maternal pela humanidade apresentando – se a menina que
contava na época quatorze anos de idade.
Assim
relata Bernadette a sua visão: “Eu vi uma Senhora vestida de branco,
com um manto branco, uma faixa azul celeste na cintura e uma rosa
amarela em cada um de seus pés e trazia um rosário em suas mãos. Saudou –
me inclinando um pouco a cabeça. Eu achando que estava sonhando,
esfreguei os olhos; mas levantando a vista vi novamente a linda senhora
que me sorria e pedia que me aproximasse, mas não me atrevia. Não que
tivesse medo, porque quem tem medo foge, e eu teria ficado ali a olhá –
la por toda a vida. Então tive a ideia de rezar e peguei o rosário,
ajoelhei – me, percebi que a Senhora se persignava ao mesmo tempo em que
eu. Enquanto ai passando as contas, ela escutava as Aves – Maria sem
dizer nada, mas passando também por suas mãos as contas do seu rosário. E
quando eu dizia o Glória ao Pai, Ela o dizia também, inclinando um
pouco a cabeça. Terminado o rosário, sorriu para mim outra vez e
retrocedendo para as sombras da gruta desapareceu.”
No
dia 24 de fevereiro, a aparição pede insistentemente: “Penitência!
Penitência! Penitência! Reze pela conversão dos pecadores!”
Nesse
lugar onde ocorreram as aparições surgiu inexplicavelmente uma fonte
d’água a qual existe até hoje e chega a fornecer 122.000 litros de água
potável a uma temperatura de 12 graus. Bernadette dizia: “Usem desta
água como remédio... Mas tem de ter fé, é necessário rezar! Esta água
não tem nenhum valor sem fé.”
Na
terceira aparição em 18 de fevereiro, a Senhora disse a Bernadette:
“Faz – me o favor de vir aqui na gruta todos os dias pelo período de
quinze dias.” A menina respondeu que sim e a Virgem lhe falou: “Não
prometo fazer – te feliz neste mundo, mas no outro.” Senhora ordenou
também à menina que bebesse e se lavasse na água da fonte.
Em
25 de março, Bernadette perguntou àquela bela Senhora quem era ela e
Esta lhe responde: “Eu sou a Imaculada Conceição”. A menina saiu
correndo e repetindo esse nome pelo caminho, para dizê – lo ao
Sacerdote, aquele nome que ela não entendera, o sacerdote havia lhe
pedido que perguntasse a Senhora o seu nome. Ressalte – se que isso
aconteceu quatro anos após a proclamação do dogma da Imaculada Conceição
em 8 de dezembro de 1854 pela “Bula Inefabíllis Deus” de Pio IX.
Nossa Senhora realizou dezoito aparições entre 11 de fevereiro a 16 de julho de 1858.
Inúmeros
milagres e curas inexplicáveis aconteceram naquele lugar e continuam
acontecendo ainda hoje, comprovados por grandes nomes da ciência.
Nesta
data dedicada a Virgem Maria, é também comemorado o Dia Mundial do
Enfermo. Nada mais justo que sendo Nossa Senhora a Mãe de Misericórdia, a
Saúde dos enfermos, a Esperança do Aflitos; a Medianeira de Todas as
Graças que dediquemos este dia aos doentes e façamos dele não um dia de
comemoração, mas de reflexão uma vez que a doença é um tempo de
humildade, que expõe nossas fraquezas subordinando – nos à dependência
de alguém que cuide de nós. É quando nos colocamos frente a frente com
nossa finitude humana perante o Deus vivo e verdadeiro. Provar de nossas
próprias limitações faz – nos mais humanos e por consequência mais
próximos de Deus. Está escrito: Basta – te minha graça, porque é na
fraqueza que se revela totalmente a minha força (2 Cor. 12,9).
Finalizando
este artigo peçamos a virgem santíssima a sua benção maternal: Nossa
Senhora de Lourdes, Mãe Imaculada, rogai por nós.
Luís Odilon Macedo Béles – Consagrado da Comunidade Católica Nova de Aliança Obra Nova do Monte Carmelo
Luís Odilon Macedo Béles – Consagrado da Comunidade Católica Nova de Aliança Obra Nova do Monte Carmelo
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