terça-feira, 12 de fevereiro de 2013


 
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O uso litúrgico das cinzas tem sua origem no Antigo Testamento. As cinzas simbolizam dor, morte e penitência. No livro de Ester, Mardoqueu se vestiu de saco e se cobriu de cinzas quando soube do decreto do rei Asuer I (Xerxes, 485 – 464 AC) da Pérsia que condenou à morte todos os judeus de seu império. (Est 4,1). Jó, cuja história foi escrita entre os anos VII e V AC, mostrou seu arrependimento vestindo – se  de saco e cobrindo – se de cinzas (Jó 42,6). Daniel (cerca de 550 AC) ao profetizar a prisão de Jerusalém pela Babilônia escreveu: "Volvi-me para o Senhor Deus a fim de dirigir – lhe  uma oração de súplica, jejuando e me impondo o cilício e a cinza" (Dn 9,3). No século V AC, logo depois da pregação de Jonas, o povo de Nínive proclamou um jejum a todos e se vestiram de saco, inclusive o Rei tirou seu manto e cobriu – se de saco, levantou – se de seu trono e sentou sobre cinzas (Jn 3,5-6). Estes exemplos retirados do Antigo Testamento demonstram a prática da utilização das cinzas como símbolo, que todos entendiam, de arrependimento.
O próprio Jesus fez referência ao uso das cinzas. A respeito daqueles povos que se recusavam a se arrepender de seus pecados, apesar de terem visto os milagres e escutado a Boa Nova, Jesus disse: "Ai de ti, Corozaim! Ai de ti, Betsaida! Porque se tivessem sido feitos em Tiro e em Sidônia os milagres que foram feitos em vosso meio, há muito tempo elas se teriam arrependido sob o cilício e as cinzas”(Mt 11,21). A Igreja, desde os primeiros tempos, conservou a prática do uso das cinzas com o mesmo simbolismo. Em seu livro "De Poenitentia ”Tertuliano (160-220 DC) escreveu “que um penitente deveria viver sem alegria vestido com um tecido de saco rude e coberto de cinzas". O famoso historiador dos primeiros anos da igreja, Eusébio (260-340 DC), relata em seu livro A História da Igreja, como um apóstata de nome Natalis se apresentou vestido de saco e coberto de cinzas diante do Papa Ceferino, para suplicar – lhe perdão. Sabe – se que em determinada época existiu uma prática que consistia no sacerdote impor as cinzas em todos aqueles que deviam fazer penitência pública. As cinzas eram impostas quando o penitente saía do Confessionário.
Já no período medieval, por volta do século VIII, aquelas pessoas que estavam para morrer eram deitadas no chão sobre um tecido de saco coberto de cinzas. O sacerdote benzia o moribundo com água benta dizendo – lhe: "Recorda-te que és pó e em pó te converterás". Depois de aspergir o moribundo com a água benta, o sacerdote perguntava: "Estás de acordo com o tecido de saco e as cinzas como testemunho de tua penitência diante do Senhor no dia do Juízo?" O moribundo então respondia: "Sim, estou de acordo". Pode – se perceber em todos esses exemplos que o simbolismo do tecido de saco e das cinzas serviam para representar os sentimentos de aflição e arrependimento, bem como a intenção de se fazer penitência pelos pecados cometidos contra o Senhor e a Sua Igreja. Com o passar dos tempos o uso das cinzas foi adotado como sinal do início do tempo Quaresmal; o período de quarenta dias, excluindo – se os domingos, em preparação a Páscoa da Ressurreição. O ritual da Quarta-feira de Cinzas fazia parte do Sacramental Gregoriano. As primeiras edições deste sacramental datam do século VII. Na liturgia atual da Quarta-feira de Cinzas, utilizamos cinzas feitas com os ramos distribuídos no Domingo de Ramos do ano anterior. O sacerdote abençoa as cinzas e as impõe na fronte de cada fiel traçando com essas o Sinal da Cruz. Logo em seguida diz: "Recorda – te que és pó e em pó te converterás" ou então "Arrepende – te e crede no Evangelho".
Devemos nos preparar para o começo da Quaresma compreendendo o significado profundo das cinzas que recebemos. É o tempo para introspecção isto é, nos voltar para dentro de nós mesmos, examinar nossa consciência e confessar nossos pecados. Só assim poderemos voltar nossos corações autenticamente para o Senhor, que sofreu, morreu e ressuscitou pela nossa salvação. Além do mais esse tempo serve para renovar nossas promessas batismais, quando morremos para a vida passada e renascemos para uma nova vida em Cristo.
Finalmente, conscientes que as coisas desse mundo são passageiras, procuremos viver de agora em diante com firme esperança no futuro e na plenitude do Céu.
Luís Odilon Macedo Béles
Consagrado da Comunidade Católica de Aliança Obra Nova do Monte Carmelo

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